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12-Jan-2021 10:51 - Atualizado em 12/01/2021 11:02

Os 7 maiores perigos para as microbacias no Brasil e suas consequências

Não cuidar das microbacias tem consequências graves e diretas no nosso dia a dia. Desperdício e uso não consciente podem contribuir para enchentes, secas e até surgimento de doenças

SÃO PAULO – O Brasil é um país com enorme quantidade de recursos naturais. Entre eles, um dos mais abundantes é a água: além de mais de 7 mil quilômetros de costa marítima, temos cerca de 12% das reservas mundiais de água doce do planeta. A fartura de recursos, no entanto, tem seus efeitos colaterais: cuidamos mal das nossas águas e gastamos demais.

“Exceto pelo semiárido, o Brasil é muito rico em quantidade de água e isso gera uma questão cultural e histórica muito ruim. Há pouca valorização das águas e mau uso”, diz Antônio Eduardo Giansante, professor-doutor de engenharia hídrica do Mackenzie. O descaso com as águas, explica o professor, existe em todas as escalas de uso. “Mas as microbacias são o mais importante, são a chave para restituir o ciclo hídrico natural”, afirma.

O Juntos Pela Água selecionou, entre os principais perigos que as microbacias brasileiras correm, sete que estão diretamente relacionados ao dia a dia da população do país.

1. Desperdício muito alto
Para Giansante, este é o principal perigo para as microbacias brasileiras. A conta do desperdício no Brasil é gigante: de acordo com o Instituto Trata Brasil, o país perdeu 38% da água potável nos sistemas de distribuição somente no ano-base 2016, o equivalente a quase 7 mil piscinas olímpicas cheias a cada dia. Traduzido em dinheiro, foram mais de R$ 10 bilhões desperdiçados, quase o total de investimento no setor de saneamento naquele ano, R$ 11,5 bilhões.

“Eu trabalho Brasil afora com saneamento e já estive em mais de 300 municípios do país. O grande problema que temos não é a falta de água, mas a água que é produzida e desperdiçada”, afirma o professor. Ele diz que, em média, 80% dos municípios têm problemas com estrutura. Os mais comuns são redes de distribuição velhas, falta de hidrômetros e roubo de água.

2. Falta de consciência no uso
Como se não bastasse este problema de perdas no abastecimento hídrico, há desperdício, também, no uso pelo consumidor final.

“A cultura geral pensa que o esgoto deve ir naturalmente para os rios”, diz Giansante. “E o serviço de fornecimento de água é mal prestado e não educa o consumidor, que desperdiça sem refletir a respeito”.

O problema do consumo sem consciência não está só no cidadão que esquece a torneira aberta. É ainda pior nos campos. Até 70% do consumo hídrico vai para a irrigação na agricultura. “Ainda é muito comum o uso de processos antigos, como a irrigação por sulcos, que encharca o solo, desperdiça água e ainda leva barro e pesticidas para os rios”, explica o professor.

3. Despejo de poluição
De acordo com Percy Soares Neto, diretor executivo da Associação Brasileira de Concessionários Privados de Serviços Públicos de Água e Esgoto (Abcon), limpar os rios é uma tarefa “simples, mas não fácil”. “É basicamente conseguir captar o esgoto e tratá-lo”, disse, em evento do setor de saneamento. O problema é exatamente este: captar o esgoto. Mais da metade da população brasileira vive sem rede de tratamento de esgoto instalada e, entre todos os municípios do país, 81% deles despejam os dejetos diretamente em rios, sem tratamento

4. Redução da biodiversidade
Há dois tipos de resíduos que poluem os rios. Um deles é a poluição da própria natureza: sem mata ciliar, chuvas fortes e irrigação exagerada levam barro, galhos etc. para dentro dos rios, desequilibrando a qualidade das águas. Outro tipo de poluição é ainda mais nocivo: a enxurrada de esgoto não tratado. O esgoto deixa a coloração dos rios acinzentada, gera mau cheiro e derruba a concentração de oxigênio da água. A consequência direta disso é a redução da biodiversidade deste corpo hídrico, sobretudo, para as espécies de vida aquática superior. Ou seja, peixes de médio e grande porte são os mais prejudicados. Giansante relata ter observado um rio poluído no qual a população de espécies de peixes foi reduzida de aproximadamente 30 para menos de cinco.

5. Manutenção do clima
As mudanças climáticas provocadas pelo aquecimento global, infelizmente, já são uma realidade. Aumento do nível do mar, chuvas mais intensas e infrequentes e maior variação térmica são exemplos de problemas que, em breve, o planeta enfrentará de forma ainda mais aguda. Uma forma de mitigar esses efeitos é a manutenção de microbacias saudáveis em regiões urbanas. Ameaçadas de ver a temperatura subir em até 4,5°C até o fim do séculos, cidades como Melbourne e Paris têm projetos para manter rios, córregos e qualquer superfície de água protegida, com o objetivo de manter pelo menos o microclima urbano habitável.

6. Secas mais prolongadas e cheias mais intensas
Não cuidar bem das microbacias tem consequências duras também para nosso próprio bem estar. Duas delas são bem conhecidas por grande parte da população brasileira: crises hídricas e enchentes.

“Este é um aspecto importante e sutil: a microbacia precisa de vegetação suficiente. A vegetação tem papel importante em captar água da chuva e, assim, manter equilibrada a velocidade de vazão”, explica Giansante.

O que isso significa?
Quando não há vegetação suficiente e o solo, que absorve até 80% das águas pluviais, é impermeabilizado, há duas consequências: com chuva, o rio enche mais rápido, a cheia é mais intensa e pode gerar enchentes; quando não há chuvas, a água escoa mais rápido, a estiagem é acelerada e prolongada e pode reduzir a oferta para uso humano.

7. Crescimento de doenças tropicais
Ainda como resultado das mudanças climáticas, o aumento da temperatura modifica a biodiversidade. Dois aspectos são fundamentais para isso: ar e água, os elementos dinâmicos dos ecossistemas. Quando as microbacias perdem vegetação e/ou recebem poluição, suas águas tendem a registrar aumento de temperatura.

“Assim, mosquitos de clima mais quente migram, e o que acompanhamos é que, desse modo, doenças tropicais chegam a regiões temperadas”, informa Giansante. Um exemplo é o mosquito aedes aegypti, causador da dengue.

FONTE: JUNTOSPELAAGUA

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