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07-Jun-2019 14:19

Nova tecnologia de tratamento e reúso de esgoto encontra-se em teste na EPC

maio2019, imprensa,
A tecnologia é uma vertente do sistema de lodo ativado, desenvolvida na Holanda e adaptada para a realidade do Ceará.

A Cagece está estudando uma nova tecnologia de tratamento de esgoto e de reúso. A tecnologia é uma vertente do sistema de lodo ativado, desenvolvida na Holanda e adaptada para a realidade do Ceará, como uma alternativa de tratamento, denominada de lodo granular aeróbio e encontra-se em fase de teste.

Para isso foi instalada na Estação de Pré-Condicionamento de Esgoto (EPC), localizada na avenida Leste Oeste, uma estação compacta composta de dois reatores pilotos, que têm capacidade de tratar cerca de 400 litros de efluente por dia. Está sendo avaliada a possibilidade de ampliar essa capacidade para até 1000 litros por dia e, para um projeto futuro, até 200 mil litros por dia.

A pesquisa está sendo realizada pela Cagece, por meio da Gerência de Desenvolvimento de Pesquisa e Inovação Tecnológica (Geped), em parceria com a Universidade Federal do Ceará (UFC). Instalado em dezembro de 2018, o sistema passou por várias alterações e adequações. Com uma rápida partida, em apenas 3 meses o sistema já conseguiu apresentar ótimos resultados, atendendo integralmente aos parâmetros exigidos na legislação vigente.

Tecnologias de tratamento como alternativas

De acordo com o engenheiro sanitarista, mestre e doutorando em Saneamento Ambiental, Sílvio Luiz Rollemberg, do departamento de engenharia hidráulica e ambiental da UFC, a universidade vem trabalhando com várias tecnologias de tratamento como alternativas voltadas para o cenário do nosso estado. “A UFC começou a ter interesse por essa rota tecnológica no final de 2017, mas foi necessário readequá-la para nossa realidade, em termos de condições climáticas e característica do nosso esgoto. A partir de então, passou a estudar essa tecnologia”, informou.

Para dar início à pesquisa foi cultivada a biomassa no Laboratório de Saneamento (Labosan), da UFC. O segundo passo foi então adaptar essa tecnologia para um esgoto real, daí surgiu a parceria entre a UFC e a Cagece para que a tecnologia pudesse ser aplicada em esgoto sanitário.

O coordenador de projetos de inovação, Carlos Adller Saraiva, da Geped, disse que ao conhecer a tecnologia, apresentada por pesquisadores europeus, percebeu que tinha um potencial muito grande de aplicação na Cagece, com vantagens sob vários aspectos, tanto em nível de qualidade quanto de atendimento a padrões de lançamento. “Tentamos implantar um piloto por meio da Paques, no entanto, o custo era muito alto e inviabilizaria a implantação. Então partimos para alternativas. Descobrimos que na UFC, o professor André, juntamente com o pesquisador Sílvio (que foi meu colega de mestrado) estavam trabalhando com esse tipo de tecnologia. Então iniciamos os trabalhos para regionalizar, buscar redução de custos e tentar uma aplicação dentro da companhia e, deu certo”, comemorou.

Baixo investimento

O sistema foi instalado na EPC com um baixo investimento, uma vez que aproveitou muito material disponível na Cagece. Para fazer o acompanhamento do projeto e realizar as coletas foi feita a contratação de uma estagiária. O custo de implantação de toda a estrutura, incluindo aquisição de reatores, disponibilização de bombas e de tubulações, o investimento foi da ordem de R$ 30 mil. “Um investimento baixo para uma pesquisa tão relevante e que tem muito potencial dentro da Cagece”, disse Adller.

O sistema é uma derivação da EPC, uma parcela do efluente é levada para o reator, onde ocorre a reação batelada sequencial e em seguida o efluente tratado é coletado. A coleta é feita três vezes por semana pela estagiária Lorayne Queiroz, que também leva o material para o Labosan, onde são feitas análises físicas, químicas e principalmente microbiológicas. Por meio das análises foi possível identificar quais grupos bacterianos estão sendo predominantes no sistema. Isso auxilia os pesquisadores nas tomadas de decisões para operar o reator.

“É uma operação bem complexa, no entanto, ao longo da semana ficamos sabendo tudo que acontece no reator. Todas as reações, todos os grupos microbianos, se o esgoto chega mais diluído, se chega mais concentrado. Tudo isso estamos controlando. Os resultados mostram que o efluente é um dos melhores do estado, em termos de efluente tratado por rota biológica. Estamos alcançando os parâmetros da Coema 217, tanto para descarte quanto também para reúso”, destacou Sílvio.

Adller acrescentou que o próximo passo é a otimização do sistema, relacionada à aeração e maximização da produção do reator e redução dos custos de operação.

“Estamos trabalhando na otimização dos parâmetros de aeração e dos ciclos. A expectativa é que até o final do ano tenhamos parâmetros de engenharia suficientes pra dar subsídios a um projeto em escala real”, concluiu.

Cagece
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