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24-Mai-2011 00:00 - Atualizado em 01/10/2015 11:00

Erosão em antigo aterro deixa lixo exposto e coloca saúde de moradores em risco

Biólogo vê risco de contaminação do aquífero guarani; dejetos hospitalares estão no entulho

Uma erosão com cerca de 100 metros de comprimento está deixando lixo e restos de produtos hospitalares espalhados no antigo aterro de Itirapina, região Central do Estado de São Paulo. Além disso, o chorume está escorrendo para uma área de cerrado e colocando em risco a saúde de moradores que invadiram o local.

A área foi usada como aterro da cidade durante mais de dez anos. Em 2004, foi desativado e recebeu uma cobertura superficial. Durante o mês de janeiro, as fortes chuvas provocaram uma grande erosão, deixando todo o lixo à mostra.

Alguns pontos têm cerca de dez metros de profundidade. No meio do barranco, há sinais do chorume escorrendo. No final, o líquido vai em direção a uma área de cerrado e passa por uma propriedade particular.

O agricultor Antônio José Pires Gonçalves diz que representantes de órgãos ambientais visitam o local com frequência e pediram para evitar qualquer contato com a água. “Fala que está tudo contaminado. Que não pode beber e que tem que fazer exame da água de três em três meses.”

O dono do sítio, Plínio de Souza Fernandes, diz que só agora a prefeitura começou a agir e funcionários estão retirando aos poucos o lixo aparente. “O problema foi tão grave que a Defesa Civil de São Paulo esteve aqui e deixou algumas medidas a serem tomadas pela prefeitura, inclusive com fornecimento de recursos”, explicou.

Perto da erosão existem vários barracos. As pessoas que vivem no local se deparam com uma situação mais séria, já que perto da cratera há restos de materiais hospitalares, misturados ao lixo comum. São frascos de vidro, de plástico, seringas e até agulhas.

Alguns moradores criam animais para vender e também para o próprio consumo. Eles ficam no meio da terra e do lixo. A dona de casa Rosa Maria Martim diz que as galinhas estão morrendo. “No mês de abril eu tinha 98 cabeças de galinha. Agora no mês de maio eu só tenho 55. Desde que elas começaram a morrer, nós não comemos mais, porque temos medo de uma contaminação”, disse.

Segundo o biólogo Fábio Matheus, a maior preocupação é a possibilidade de contaminação do aquífero guarani. “A gente tem que ter uma preocupação como um todo. Se existe deposição de lixo em uma área de aquífero, nós estamos colaborando com um problema ambiental para a população inteira. O ideal seria retirar todo esse lixo, fiscalizar a área para que não seja depositado novamente e a recomposição do solo com terra e plantando árvores na região onde existem mananciais. Com isso, a gente consegue minimizar o todo”, destacou.

O secretário de Obras de Itirapina, Luciano Del Nero, afirma que o problema deve ser resolvido em breve. Uma verba de R$ 120 mil foi liberada para recuperar o local. Ainda segundo ele, um projeto já foi encaminhado para a Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb). O prazo dado pela companhia para que tudo seja regularizado é setembro.

Já o secretário de Serviços Públicos, Antônio Meneguim, disse que o lixo hospitalar é antigo. Sobre as pessoas que moram nos barracos, ele diz que a área é da União e foi invadida. A assistência social da prefeitura acompanha as famílias, mas não tem como retirá-las.

EPTV
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