Manoela Marques
Um ano após a recuperação do Córrego do Tanquinho, um dos mais importantes afluentes do Ribeirão das Cruzes - que abastece quase toda Araraquara -, o local começa a sofrer novamente com um antigo problema: o descarte irregular de lixo.
O córrego é protegido por cercas de arame, mas em um trecho esse material foi arrancado e o espaço é utilizado para descarte de lixo residencial, além de resíduos de materiais de construção. Em outro ponto, ao longo da área preservada, a reportagem encontrou um pedaço de armário de cozinha na área de várzea.
Moradores do Jardim Roberto Selmi Dei, onde fica a nascente, relatam que o problema é recorrente. A aposentada Cristina Dias afirma que é constante o acúmulo de lixo ao longo de toda a área de proteção ambiental. "As pessoas derrubam mesmo a cerca e jogam de tudo", comentou.
Prefeitura
A Secretaria de Meio Ambiente afirma que realiza o acompanhamento do Córrego do Tanquinho desde que a área que foi recuperada pela Prefeitura, em 2010. Segundo nota enviada pela assessoria de imprensa, cotidianamente o lixo urbano é recolhido e o Departamento Autônomo de Água e Esgoto (Daae) é comunicado sobre o entulho encontrado para que ele seja recolhido.
As justificativas da administração municipal não satisfazem, no entanto, quem convive com a situação do córrego. "O Daae até vem recolher o lixo, mas não com tanta frequência. Precisava ter também uma fiscalização maior porque quando eles limpam, a população suja de novo", alerta o operador de máquinas José Carlos Martins.
A expectativa da Secretaria é de que com a inauguração do Ponto de Entrega de Entulhos e Volumosos (PEV) do Selmi Dei, a população passe a fazer a destinação correta dos resíduos.
Revitalização
Até setembro de 2010, cerca de 60 moradores do bairro utilizavam a várzea do Córrego do Tanquinho em desacordo com a legislação, que prevê uma distância mínima de 30 metros do leito dos mananciais para o uso agrícola. Durante 20 anos, porém, a população realizou o plantio de hortaliças e manteve criações de animais, alterando inclusive o curso d'água.
Outras ocorrências também eram constantes, como a perfuração de poços e o acúmulo de lixo e entulho.
A situação só foi parcialmente resolvida quando o Ministério Público solicitou à prefeitura a recuperação do local e retirada dessas pessoas.
Na ocasião, a prefeitura retirou lixo e entulho, roçou e capinou a área, aterrou os açudes, ampliou e distanciou da margem os pontos de nascente e plantou 40 mil mudas de árvores cercando a área.